Aos mestres com carinho

Nada do que sou hoje seria possível se elas não existissem: as pessoas dedicadas a ensinar, a cuidar, a olhar nos olhos, a entender as diferenças, a respeitar a “timidez”, a olhar com muito carinho e a me provocar na busca do melhor de mim, a trazer questões e não falsas respostas, a respeitar, a compreender as limitações e dificuldades, a revelar o mundo sem quebrar o encanto e o mistério da trajetória tão particular das descobertas, a estar ali, a subverter algumas regras e padrões do tal ‘modo’ tradicional de “ser professor”, a ousar, a trazer arte, vida, coisas de verdade e não meros roteiros de papel para a fascinante e incrível ‘tarefa’ de ensinar.

Desde a minha infância muito remota, ou, pensando melhor, desde antes de eu nascer, sou abençoada por ter em minha família próxima duas grandes mulheres professoras, que nasceram com uma alma de gente que está além dos cânones e das academias: minha avó materna Inês Veiga Haas, e minha tia também materna e maternal Maria Lídia Silveira Porfírio.

Eu gostaria muito de poder sentar com as duas, talvez numa daquelas mesas postas com café, pão, manteiga e algum bolinho, e ouvir mais umas quantas vezes as histórias que me ensinaram e ensinam a viver. Hoje, não é possível essa cena completa, porque a grande Inês, que este ano já teria seus 103 anos se ainda vivesse entre nós, está noutras “dimensões galácticas”, mas ainda temos oportunidade de nos reunir, em família, até quando o Universo permitir.

Mas, sim, me desviei do assunto, e o que eu queria dizer é que, mesmo felicitando todos os mestres e professores que tive, e os que não conheci pessoalmente, mas estão aí, tornando o mundo muito melhor, destaco essas duas mulheres professoras, educadoras, seres sem pudores, sem medos (ou com medos como todos nós, mas sem grilhões presos aos medos), que cruzaram a linha de toda a dificuldade, limitação cultural/social/econômica, e fizeram a diferença para centenas de crianças, jovens e adultos, indo além das “disciplinas” e cadeiras formais do mundo da educação.

Por último, acredito que uma nação que não valoriza os professores, e também a educação para além das salas de aula, que não estimula que cada cidadão seja um ensinante e também um aprendiz para toda a vida, não está perdida de todo, mas precisa de muita força e lucidez de toda a população, desde os mais altos governantes até cada um de nós, brasileiros anônimos (mas não menos importantes), para um resgate da maior das essências do bicho homem: a capacidade para aprender/ensinar para criar mundos de melhores possibilidades para todos os seres do planeta.

Feliz dia dos professores! E que essas mensagens nossas pelas redes sociais não sejam mais meras utopias, vamos sonhar e também vamos fazer essa roda girar.

 

 

 

 

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